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Bacia do Itapemirim
A
Bacia do Rio Itapemirim possui área de 687.000 ha, geograficamente
situada entre os meridianos 40º48'e 41º52' de longitude
W.G. e entre os paralelos 20º10' e 21º15'.
Compreende 17 municípios,
perfazendo um total de 409614 habitantes, quais sejam: Alegre,
Atílio Viváqua, Conceição do Castelo, Castelo, Ibatiba,
Ibitirama, Irupi, Jerônimo Monteiro, Muniz Freire, Muqui,
Vargem Alta, Venda Nova do Imigrante, Itapemirim, Cachoeiro
do Itapemirim, Marataízes e Iúna (todos do ES) e Lajinha
(MG).
O Rio Itapemirim tem suas
nascentes mais distantes localizadas na Serra do Caparaó,
formadas pelos rios Braço Norte Esquerdo e Braço Norte Direito
que se unem no município de Alegre. Mais a jusante, as águas
do Itapemirim recebem contribuição do rio Castelo, no distrito
de Coutinho, município de Cachoeiro de Itapemirim. O último
grande afluente, antes da desembocadura no Oceano Atlântico,
é o rio Muqui que junta-se ao Itapemirim no município de
Itapemirim.
A ocupação territorial da
bacia, pelos povos Ibéricos, foi dinamizada pela introdução
da cafeicultura, a partir da 2ª metade do século XIX. Anteriormente,
no período Brasil Colônia, a bacia foi uma típica região
produtora de cana-de-açúcar. Em seqüências às lavouras de
café, as terras desta região passaram a ser utilizadas com
pastagens acompanhando os ciclos de expansão e retração
da economia cafeeira e o esgotamento da fertilidade das
terras.
Como toda área de povoamento
e colonização no Brasil, a região da bacia do Rio Itapemirim
já possui extensas áreas reflorestadas. No entanto, já em
1974 verifica-se, na região a cobertura florestal de 118
mil habitantes, ou seja, 17,19% da área de abrangências
da bacia. Após 12 anos a cobertura florestal decresceu para
pouco mais de 50 mil habitantes, e fazendo um total de 7,19%.
Sabe-se que a monocultura
de cana-de-açúcar e do café deixaram, após o cultivo de
várias décadas, uma sucessão de grandes extensões de solo
sob pastagens, localizadas em regiões elevadas que sofrem
atualmente com o problema de erosão em vários níveis. Nas
encostas com declividade acentuada, a erosão começou a fazer
seu trabalho imediatamente após a derrubada e queimada do
manto florestal. O complexo solo organo-mineral, que era
decorrência da própria floresta, que o mantia e reciclava,
se degradou, sobretudo transportado pelas águas da chuva.
As terras, carregadas pela
erosão, foram assorear as calhas dos córregos e rios, ocasionando
problemas de trasbordamento, alargamento de margens e mesmo
enchentes catastróficas.
O efeito da devastação da
cobertura florestal sobre os mananciais e fontes também
são preocupantes. Os rios e córregos se alargaram pelo desbarrancamento
das margens, tornaram-se mais rasos pelo assoreamento e
seus regimes de vazão foram profundamente alterados, transformado-os
em laminas delgadas ou fios de água nos períodos secos e
correntes tumultuosas e transbordantes na época das chuvas
as águas tornaram-se turvas pela grande quantidade de terra
levada em suspensão para o fundo do oceano.
Acompanhando a trajetória
do Rio Itapemirim, percebe-se, claramente, que o assoreamento
ano a ano vem se tornando mais grave. A disponibilidade
hídrica reduzida, historicamente observada, e o desmatamento
desordenado, caracterizando a degradação constante da Bacia
do Rio Itapemirim são responsáveis pela redução drástica
potencial de sustentação socio-econômico de toda região
geográfica.
Em anos de baixa precipitação
pluviométrica já se verificaram algumas tendências à desertificação
em determinadas regiões da bacia, existindo solos que, por
sua baixa capacidade de retenção de água pelo comportamento
hidrológico, se assemelham aos ambientes desérticos. Indícios
disso é o aparecimento da espécie Calothropis procera (algodão
de seda) planta originaria da Índia. Introduzida no Brasil
para uso ornamental no estado de Pernambuco, colonizando
grandes áreas de pastagens, principalmente nos municípios
de Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Jerônimo Monteiro e
Alegre.
Em termos sociais, verifica-se
o processo de decadência da qualidade de vida das populações
que habitam a região, devido, em grande parte, ao descaso
com que as políticas públicas trataram a questão do Desenvolvimento
Rural Sustentável. Diante disto, os agricultores familiares,
enquanto categorias majoritárias porém a mais excluídas
das políticas, acabaram sendo condenados ao empobrecimento
e, muitas vezes, forçados a migrar para outras regiões.
Por sua vez, as cidades ficaram
estagnadas economicamente, sem opção de trabalho e oferecendo
serviços precários de educação e assistência social, quando
oferecerem, como reflexo do próprio subdesenvolvimento da
agricultura regional.
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(Outros Downloads)
As
águas da bacia do Itapemirim (4,454 mb em formato pdf)
Livro
sobre a Bacia do Rio Itapemirim (2,053 mb em formato pdf)
:: Mais
Informações
Site NedTec - Ufes: www.nedtec.ufes.br
Comitê da Bacia do Rio Itapemirim:
(28) 3526-3321
Instituto Estadual de Meio Ambiente
(IEMA-ES): (27) 3136-3434
Instituto de Defesa Agropecuária
e Florestal (IDAF-ES): 3517-3190
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